No próximo
cinco de Outubro a minha saga açoriana cumprirá o seu décimo aniversário. O
que, na arrogância pueril do controlo sobre o que não é passível de controlo,
seria uma espécie de “toca e foge” insular de um par de anos, transformou-se
numa relação umbilical com uma ilha, com um arquipélago. Sou terceirense, e
defendo esta terra como se de Coimbra se tratasse. Desde muito cedo construí
uma relação de amor com Angra do Heroísmo, fascina-me o nascer do Sol no
Piquinho, chateia-me Ponta Delgada, mas admiro tudo o que sobra de São Miguel, vejo nas fajãs de São Jorge uma metáfora belíssima e apaixonante, quero ter uma casa nas Flores para a reforma e morar um mês seguido no Corvo
antes de morrer (que me perdoem o cliché).
Sinto-me açoriano, com “e” ou “i”,
consoante os gostos ou a tendência para a singularidade ortográfica. Quero
sê-lo, apesar de tudo, mais tempo. Sinto que o serei, mesmo se a brisa do
destino me afaste do Atlântico. Criei raízes aqui, crio uma terceirense feliz
todos…